Jerome é a nova aposta de Cacá Ribeiro para resgatar a época de ouro dos clubinhos. Abertura para o público é nesta quinta

Claudia Assef
Por Claudia Assef

A noite de São Paulo já viveu intensos casos de amor com clubes pequenos. Nos anos 80, vivemos noites inesquecíveis em boates diminutas, como Off e Viúva Negra, da cena gay, as góticas Any 44 e Ácido Plástico e as pós-punks/rockers Napalm e Vitória Pub.

Nos anos 90, clubinhos como Nepal, Espaço W, Cha Cha Cha, Glitter e Cube mantiveram a tradição de pistinhas pequenas em tamanho, mas gigantes na ferveção. Mais recentemente, o Pix reinou do final dos anos 90 até meados de 2000, e depois dançamos em pistinhas de clubes/bares como Secreto, Mono, Torre do Dr. Zero e Bar do Netão, que acaba de reabrir, e tantos outros que tinham como lema we don’t need to have a crowd to have a party, clássica frase do Inner City.

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Foi justamente com a ideia de recuperar a cultura dos pequenos clubes, que nas décadas de 80 e 90 fervilhavam com boa música e contracultura, que os sócios Cacá Ribeiro e Rodrigo Mussolino criaram o Jerome, clubinho que abre as portas ao público nesta quinta (13).

Rodrigo Mussolino e Cacá Ribeiro, sócios do Jerome

Rodrigo Mussolino e Cacá Ribeiro, sócios do Jerome. Foto: Gabriel Quintão.

A noite de estreia do Jerome fica por conta da festa Georgy Porgy, da DJ Marina Diniz e da designer Carol Rios, que irão focar num repertório eclético baseado em suas coleções de discos, que inclui de Chic e Fleetwood Mac até Todd Terje e LCD Soundsystem.

“O Jerome será conhecido, entre outras coisas, por ter uma excelente curadoria musical. A música eletrônica não óbvia será o nosso grande diferencial”, diz Rodrigo Mussolino. Localizado no número 398 da Rua Mato Grosso, em Higienópolis, o clube tem projeto cênico assinado pelo multiartista Felipe Morozini, que preside a Associação Parque Minhocão.

Com capacidade para 250 pessoas, o espaço funcionará inicialmente às quartas, quintas, sextas e sábados. “A programação será pautada em diversas vertentes da música eletrônica, da house music ao dubstep, com algumas residências fixas”, completa Cacá. Na carta de drinks o bar oferecerá clássicos como o negroni e o bellini.

Falamos com Cacá, conhecido por diversos empreendimentos da noite, pra descobrir um pouco mais sobre este personagem que acabou virando nome de boate. “O Jerome é amigo das bee e circula do mainstream ao underground de forma orgânica”, diz seu criador.

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Cacá Ribeiro no ambiente do Jerome. Foto: Gabriel Quintão

Music Non Stop – Você tem um longo histórico de noite e boates, o que te fez querer abrir um novo clube?

Cacá Ribeiro – A minha longa trajetória na noite e o meu senso de oportunidades são peças importantes na decisão de criar um novo espaço na noite de São Paulo. A ideia de abrir o Jerome vem da minha vontade de desfrutar de um espaço pequeno e aconchegante, repleto de amigos e, sobretudo, com música boa. O mais importante é contar um pouco sobre quem é o Jerome, esse personagem que criamos. É um cara jovem, que gosta de curtir a noite, e tem a cabeça aberta. Ele já viajou bastante, é inteligente e charmoso, mas está longe de ser pretensioso. É amigo das bee e circula do mainstream ao underground de forma orgânica.

Music Non Stop – O Jerome é um clube pra quem curte…?

Cacá Ribeiro – É um clube para quem gosta de uma atmosfera diferente, com bons drinks e uma trilha sonora surpreendente.

Music Non Stop – Você é sócio do Yatch e do Lions, clubes que têm público cativo, prioritariamente gay. Você acha que a cena das festas de rua e labels itinerantes é algo que veio complementar a cena de clubes em SP?

Cacá Ribeiro –  Esse é um ciclo interessantíssimo. Eu comecei a minha carreira promovendo festas em lugares inusitados e diferentes. Essa vontade de estar em lugares afastados do centro está no cerne da juventude e é ótimo para cena de música eletrônica. Agora, contudo, estamos começando a viver um outro momento na noite. Há pessoas que gostam de estar em um clube pequeno, com drinks bem elaborados e com conforto. Essa é a minha aposta e é a nova onda.

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Music Non Stop – Como vai ser a direção artística do Jerome, quais são as noites/DJs já programados?

Cacá Ribeiro – A curadoria artística do Jerome é feita, sobretudo, com parceiras incríveis. Nesse momento, eu trabalho ao lado de uma equipe formada por Daniel Martins, Fred Galeno, Paulo Fontes, Guigo Lima e Rodolfo Tavares. É excelente ter uma visão ampla de todos os movimentos musicais que acontecem na cidade de São Paulo para ter uma curadoria democrática e cuidadosa. Uma das novidades é a noite chamada Jazzrome, que acontece nas segundas-feiras, com Guigo Lima, o DJ Dubstrong e um trio de jazz que tocará ao vivo na casa. Toda quarta-feira teremos uma noite de Classics, com Edu Corelli e Felipe Venacio. A quinta-feira será uma noite rotativa e com festas dinâmicas, na primeira semana teremos a Georgy Porgy com DJ Marina Diniz e da designer Carol Rios. No sábado é a vez da No Mercy, que na primeira edição terá Luca Lauri, a Marina Dias e Márcio Vermelho.

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Detalhe do projeto arquitetônico do Jerome

Music Non Stop – Falando em crise, sua visão de empresário é otimista pelo futuro do país?

Cacá Ribeiro – Sim, eu tenho uma visão otimista. De outra maneira, eu não abriria um clube nesse momento. Eu acho que o momento é sim um pouco complicado, porém não podemos ficar parados e de mãos atadas esperando essa fase complicada da economia passar. A última casa que eu abri foi há cinco anos, por isso eu acredito que está mais do que na hora de inovar novamente.

Music Non Stop – Com qual São Paulo você sonha para ver o seu novo filhote, Jerome, crescer?

Cacá Ribeiro –  Espero que o Jerome cresça em uma cidade mais humana e mais democrática. Menos dura e, sobretudo, menos preconceituosa. Com ruas abertas e uma sociedade mais generosa.

Jerome
Rua Mato Grosso, 398 – Consolação, São Paulo, tel. (11) 2614-6526
Quinta, 13 de outubro, a partir das 22h
Preço: R$ 40 (entrada) ou R$ 60 (consumação)
Line-up: Marina Diniz e Carol Rios
Funcionamento do Jerome: quartas-feiras, quintas-feiras, sextas-feiras e sábados

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